O Risco Oculto das Matrículas Antigas em Operações com CPR e Outras Garantias Rurais

 

No agronegócio brasileiro, é comum encontrar matrículas rurais antigas com descrições que refletem a realidade da época em que foram registradas. Muitas delas identificam o imóvel por confrontantes, acidentes naturais, denominações locais ou referências históricas, sem coordenadas geográficas ou qualquer sistema moderno de georreferenciamento.

Há algum tempo atuei em um caso envolvendo uma operação de Cédula de Produto Rural (CPR) que não foi cumprida pelo emitente.

Quando a credora iniciou as medidas judiciais para localização de bens e efetivação do arresto, surgiu uma situação inesperada: o devedor alegou que a atividade agrícola desenvolvida por ele ocorria em área diversa daquela indicada na matrícula vinculada à operação.

Diante dessa divergência, fui contratado para verificar a situação do imóvel rural que servia de referência documental para a garantia.

A matrícula apresentava uma descrição típica de registros antigos, baseada em confrontantes históricos, área aproximada e referências genéricas de localização, sem coordenadas geográficas, georreferenciamento ou elementos que permitissem identificar imediatamente a posição exata do imóvel no território.


À primeira vista, trata-se de uma matrícula aparentemente regular. Contudo, quando surge a necessidade de localizar fisicamente a área, verificar sua correspondência territorial ou confirmar quem efetivamente exerce a posse, a situação pode se tornar significativamente mais complexa.

Nesse trabalho foi necessário realizar pesquisa em cartórios de registro de imóveis, reconstrução da cadeia dominial, consultas ao Sistema de Gestão Fundiária (SIGEF), análise de imagens de satélite e diligências presenciais na região.

Esse caso é apenas um de vários, o que demonstra uma realidade frequentemente observada no mercado rural: a existência de uma matrícula não significa necessariamente que a localização da área esteja claramente definida ou que sua situação fundiária seja simples de compreender.

Por essa razão, operações envolvendo garantias rurais, aquisição de imóveis, financiamentos, CPRs, hipotecas, podem se beneficiar significativamente de uma análise técnica prévia.

Em muitos casos, o custo da prevenção é insignificante quando comparado ao custo de descobrir um problema apenas no momento da execução da garantia.

Sobre o Autor

Alexandre Albrecht é Engenheiro Agrônomo, Perito Judicial e Assistente Técnico, com atuação em perícias agronômicas, avaliações de imóveis rurais, servidões administrativas, desapropriações, conflitos fundiários, georreferenciamento, usucapião, retificação de áreas, perdas agrícolas e operações envolvendo garantias rurais.

Sua atuação combina análise documental, pesquisa fundiária, geotecnologias, sensoriamento remoto, imagens de satélite e vistorias de campo, buscando fornecer suporte técnico especializado para o Poder Judiciário, advogados, instituições financeiras, empresas do agronegócio e produtores rurais.

Ao longo de sua trajetória profissional, desenvolveu trabalhos em diversas áreas do agronegócio, com foco na produção de provas técnicas, identificação de inconsistências documentais, avaliação patrimonial e investigação territorial de imóveis rurais.

Contato:
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